[estreia] R.A.M.P. – Flesh of God

     

R.A.M.P. “Insidiously”
CD | LP | MC | DIGITAL
01.04.2022
P & C Rastilho Records, 2022
www.rastilhorecords.com


REVIEW: INSIDIOULSLY (R.A.M.P.) by ARTE-FACTOS

REVIEW: INSIDIOULSLY (R.A.M.P.) by ARTE-FACTOS [7.5]

Turbulento este regresso aos discos de uma das maiores instituições da música pesada em Portugal. Já podem brincar com o facto do seu primeiro longa-duração estar agora a celebrar os seus trinta anos numa carreira que não terá sido das mais profícuas, mas que deixou a sua marca. “Insidiously” pode ser só o sexto disco, mas os R.A.M.P. sabem como vestir o fardo daqueles que não têm ainda alguma coisa a provar.

Mas sabem olhar para os tempos, para a cena que os rodeia, para aquilo que eles próprios influenciaram e analisar de que forma também se podem deixar influenciar por elas. “Thoughts” é um marco do thrash clássico e “Insidiously” é um disparo modernaço. E sabemos bem que é assinado pela mesma banda. E não vamos fazer de conta que não se sentia a falta. Já lá iam treze longos anos desde “Visions” e o panorama, o mundo à nossa volta, pedia mais R.A.M.P.. Aguçava-se a curiosidade em relação à direção que tomariam num novo registo, sabendo bem o quão irrequietos são com o seu próprio estilo. E então com as duras notícias de uma baixa de peso da formação original do grupo do Seixal, queríamos mesmo fortes sinais de vida da banda.

E “Insidiously” não é só mais um disco competente, um agrupamento de novas malhas para levar para a estrada e para os palcos, agora que já recuperámos essa parte fulcral das nossas vidas. “Insidiously” é um argumento. Um forte argumento do estatuto dos R.A.M.P.. São eles porta-estandartes de trazer o thrash clássico e remoldá-lo e são precursores do thrash moderno, musculado e cheio de groove. E este disco funciona como um perfeito ponto de encontro entre as duas vertentes estilísticas e temporais. Enquanto a voz de Rui Duarte não estiver gasta, saberá bem alternar entre a berraria mais agressiva e gutural e um cantar melódico, sem pender para os açúcares em excesso de bandas modernas. Mas até servem de exemplo para quem realmente dominar um campo mais moderno e juvenil da música pesada: o refrão da faixa-título não deve propriamente alguma coisa a algum dos Trivium, “A Million Places Faces” pode ser a malha que os In Flames andam a tentar fazer há muito tempo e “Lost” despe-se de medos e preconceitos e mostra que se pode ser baladeiro sem destoar da passada mais violenta do resto do disco, sempre ali com um riffaço no sítio. Como foi dito no parágrafo introdutório, não têm ainda alguma coisa a provar, mas não lançam discos facilitistas por isso. Ainda há muita vida nestes R.A.M.P., que nos deixam bem curiosos e atentos aos passos seguintes. Sempre ao seu próprio ritmo.

Músicas em destaque: Insidiously, A Million Places Faces, Flesh of God
És capaz de gostar também de: Testament, Machine Head, Prayers of Sanity


REVIEW: INSIDIOULSLY (R.A.M.P.)

REVIEW: INSIDIOULSLY (R.A.M.P.) by VIA NOCTURNA [87%]

“Foi difícil. Foi duro. Foi, mesmo, violento. Mas as conquistas assim têm outro sabor. Que o digam os veteranos nacionais R.A.M.P. que, 13 anos após o seu último registo, Visions, regressam com um bombástico e decisivo Insidiously. Construído pela dupla criativa Rui Duarte/Ricardo Mendonça e contando com a estreia do baterista João Gonçalves, Insidiously traz todas as marcas que fizeram dos R.A.M.P. uma referência do metal nacional e internacional. O seu thrash metal tradicional está presente, naquela forma de trabalhar as guitarras a lembrar os seminais Voïvod, mas a vertente do groove metal pesadão também marca pontos. Neste particular soa a metal moderno, mas a questão levanta-se… os R.A.M.P. não foram sempre assim?

Isso significa que, desde sempre, a banda do Seixal esteve à frente do seu tempo. A ponte entre essas duas distintas abordagens (que numa faixa como Back To Scratch traz tanto groove que até nos lembra White Zombie) é feita com uma espetacular balada – Lost – a mostrar o lado emocional deste coletivo de durões. Outro aspeto relevante é a delicada capacidade melódica. Sempre existiu, mas neste disco, temas como Insidiously, Those We Cannot Blame e a já referida balada, são terrivelmente eficazes nesse particular.

A agressividade também está presente, sendo a principal arma de temas como Flesh Of God e The Number One, embora o coletivo consiga sempre adornar essa agressividade com um sofisticado sentimento de destreza técnica, com especial enfâse nas incríveis dinâmicas de bateria. Portanto, para terminar como começámos, esta é uma enorme vitória dos R.A.M.P.. E daquelas que têm um sabor especial! [87%]”

Highlights

Catatonic, Haunted, Insidiously, Lost, Those We Cannot Blame, The Illusion Of Truth


RAMP METAL FACECLUB